
contudo, mesmo sem fazer crítica literária, posso fazer uma coisa muito mais simples que os críticos também fazem: dar estrelas. e, na escala de bola preta a 5 estrelas, a navalha de palaçoulo, o novo livro de contos do transmontano a.m. pires cabral leva 5 estrelas directas. mesmo antes de ter lido já tinha as 5 estrelas. bastava o nome, claro. depois de ler, as estrelas mantêm-se.
sobre o livro, convém dizer que se trata de um livro de contos daquele que é, na minha opinião, o melhor escritor transmontano da actualidade. a navalha de palaçoulo é o nome do maior e último dos dez contos do livro, que dá também nome ao livro. os contos são todos giros, mas o último é o melhor. não vou desvendar o que se passa, mas o enredo gira, claro, à volta de uma navalha de palaçoulo, que é retratada como merece, como algo com personalidade e não um vulgar objecto. uma navalha de palaçoulo deve ser tratada com respeito, como a páginas tantas é disparado por Herculano Capela, uma das personagens do conto:
-Vai arrepender-se, digo-lho eu. O senhor fez o que fez por ciúme. Mas não se insulta assim uma navalha de Palaçoulo, mesmo em nome do amor de uma mulher.
mais não conto, vão ler que vale a pena.