segunda-feira, 20 de abril de 2009

o carreirão de trás-os-palheiros

não é uma estrada, não é uma rua, nem sequer é um caminho rural, mas é uma das principais vias de palaçoulo. simplesmente um carreirão, que foi sendo construído pela passagem das pessoas ao longo de anos e anos por cima de terrenos privados e alguns caminhos. na verdade, não se trata apenas de um carreirão, mas sim uma rede de carreirões (que, para forasteiros, se afigura de uma complexidade similar ao metro de londres e, para locais, à palma da própria mão (suponho que, se um dia palaçoulo fosse atacado, seria no carreirão de trás-os-palheiros que se iria vencer a guerra)) que encurtam distâncias entre diferentes pontos da aldeia.
dada a forma em boomerang da artéria principal da aldeia e conscientes de uma das verdades fundadoras da geometria euclideana (a distância mais curta entre dois pontos é uma recta), os caramonicos cedo perceberam que um caminho entre as duas extremidades (aproximadamente) era necessário. bem, nem todos devem ter percebido, porque desde que eu me lembro de existir, que a construção dessa estrada/rua é falada e o certo é que por alguma razão, mais ou menos justificada, mais ou menos clara, nunca passou da ideia.
entretanto, e enquanto não chega essa tão esperada via, que iria dar um grande impulso à urbanização da aldeia, o carreirão continua a ser usado e a ser forma mais rápida de atravessar a aldeia a pé. para ir trabalhar, para ir ao café, para ir jogar à bola, para encontros secretos, para não atravessar o rodelão ou simplesmente para não se ser visto.

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