sábado, 7 de novembro de 2009

biblioteca itinerante da fundação Calouste Gulbenkian

aqui em aveiro, numa rua perto da praça está estacionada há anos uma carrinha vermelha da biblioteca itinerante Calouste Gulbenkian. sempre que passo lá vem-me à lembrança a imagem de uma carrinha igual, que às quartas-feiras estacionava na praça de palaçoulo, durante anos, há muitos anos atrás. é daquelas imagens boas que perduram, como as imagens daquelas outras carrinhas de circo ou teatro amador, normalmente uma família, que de vez em quando chegavam à aldeia para uma actuação em troca da boa vontade do público.

chegava durante a tarde, aquela carrinha cheia de livros, com corredor no meio, conduzida por aquele simpático senhor de quem não recordo o nome, mas bem a imagem. chegavam as pessoas com os livros para entregar e com ideias de novos livros para levar. percorriam o corredor, escolhiam outros e levavam para casa. quando não aparecia mais ninguém a carrinha partia. e voltava noutra quarta-feira (penso que vinha de de duas em duas semanas).

até uma quarta-feira que a carrinha vermelha não apareceu. na próxima tão pouco. e nunca mais apareceu, sem aviso. e os livros que tinham sido requisitados na última aparição ficaram com quem os tinha requisitado. foi a última de muitas prendas que a biblioteca itenerante caloust goulbenkian deu a tanta gente.

[esta pequena memória, em jeito de agradecimento, é sobre palaçoulo, mas podia ser sobre tanta terra, sobretudo do interior, onde o acesso à cultura é tão complicado. a biblioteca itenerante levava, de forma gratuita, cultura, sonhos e novos mundos às pessoas. foi uma grandiosa iniciativa de uma fundação, mas essa é uma missão que pertence ao estado, e que nunca cumpriu.]

3 comentários:

Anônimo disse...

Foi lendo os livros dessa biblioteca, que o autor deste blog, de certeza, aprendeu a escrever. Para quem a nostalgia é tão importante (neste caso literatura), o respeito pelas normas da pontuação e afins, não faz parte desse aprendizado que a respeitada biblioteca lhe proporcionou.
Enfim, modernices com a cultura e recordações de antigamente.

Anônimo disse...

Mas o que é que tem a ver uma coisa com a outra?

Duas lambadas --'

Mel disse...

Que memória enternecedora!!!

Reveste a alma saber o quanto a arte nas suas diversas manifestações pode tocar alguém e permanecer como parte de um todo:)

Apeteceu-me comprar uma carrinha vermelha, abastecê-la de livros e partir em viagem:) com Palaçoulo como primeiro e eterno destino*