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terça-feira, 7 de abril de 2015

super sistema à sandokan

se, em palaçoulo, se falar em sandokan, o que primeiro vem à memória não é o tigre da malásia, o pirata criado pelo escritor italiano Emilio Salgari e popularizado por uma série de televisão. e, por estranho que pareça, o que vem à memória nem sequer é uma pessoa, mas sim um sítio lá para os lados da ribeirica.
o que já nem toda a gente de palaçoulo saberá é que o nome do sandokan é, na verdade, super sistema à sandokan. ora, este pequeno grande pormenor faz toda a diferença, porque mesmo não indicando do que se trata, denuncia logo à partida que é uma coisa em grande, um super sistema. por uma questão de ecomonia de esforço e familiaridade, o pessoal trata o super sistema à sandokan apenas por sandokan. da mesma forma que se trata o sport lisboa e benfica simplesmente por benfica. ou por maior.
toda a gente conhece o sandokan, toda a gente sabe onde fica, mas o que é na realidade esse super sistema à sandokan não se consegue explicar ou sequer compreender. simplificando muito, poderíamos dizer que o sandokan é uma propriedade rural com uma casota. ou uma casa, numa horta, onde se fazem umas petiscadas. mas também toda a gente sabe que é muito mais do que isso: o sandokan é, como agora se costuma dizer numa palavra que pode dizer muita coisa ou nada, um espaço (não apenas físico, mas também mental). para não sermos incorrectos na classificação do tipo de espaço digamos, simplesmente, que é um espaço alternativo. um espaço que cruza saberes e sabores, que abraça variadas áreas, da agricultura ao erotismo, passando pela gastronomia, a filosofia, a música, a dança e as ciências do oculto. um espaço rústico, místico, selvagem e sem fronteiras. entrar no sandokan é entrar num mundo de infinitas supresas e uma única certeza: tudo pode acontecer.
em relação ao que de concreto se passa no sandokan, é certo que algumas coisas (verdadeiras ou falsas, versões reduzidas ou amplificadas) vão saíndo para fora mas, mesmo não sendo explicíto nem cumprido à risca, há uma espécie de código à las vegas: what happens in sandokan, stays in sandokan.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

a pipa


situação 1: jantar a dois. primeiro jantar. bom restaurante, bom ambiente, boa comida e bom vinho. sobretudo bom vinho.
aperitivos, primeiras conversas, primeiros copos de vinho. este vinho - diz ele - é da melhor casta, da melhor colheita, de 2001.
ela prova, sorri, mas acrescenta que não acha nada de especial. na realidade, ele também não está a achar o vinho nada de especial, mas ele sabia que era da melhor colheita, da melhor casta, tinha de ser bom. e ela, deixa lá, o que é que isso interessa, vamos mudar de assunto. ele concorda, queixa-se desta primavera que nunca mais chega, ela concorda, o tempo anda horrível. a comida estava boa, ele ofereceu-se para a levar a casa, mas ela preferiu apanhar um táxi e ficaram de combinar voltar a jantar um dia destes.

situação 2: jantar a dois. primeiro jantar. bom restaurante, bom ambiente, boa comida e bom vinho. sobretudo bom vinho.
aperitivos, primeiras conversas, primeiros copos de vinho. este vinho - diz ele - é da melhor casta, da melhor colheita, de 2001.
ela prova, sorri, e diz que é, de facto, fantástico. ele concorda, aliás, já sabia que era fantástico, era da melhor colheita, da melhor casta. e ele, a servir mais dois copos a pedir para lhe falar de si. e ela a falar, e os dois a rir, depois falou ele e riam outra vez. e mais uns copos de vinho, e a conversa estava óptima, e a comida estava óptima, a sobremesa deciliciosa, o café perfeito. sairam, divertidos. ele convidou-a para ir até casa dele e ela, estava a ver que tinha de te convidar eu. e ainda havia daquele vinho em casa, da melhor casta. da melhor colheita...

Obviamente são 2 situações que se desenvolvem nas mesmas condições, com resutados diametralmente opostos. o ponto de disturbio das situações está claramente no vinho. mas como, se o vinho era do mesmo, da melhor casta, da melhor colheita de 2001? eram de facto dois vinhos da melhor colheita da melhor casta de 2001, mas eram vinhos diferentes: o vinho da situação 2 tinha sido armazenado e tratado em pipas de palaçoulo, o vinho da situação 1, não.


P.S. a qualidade das pipas produzidas em palaçoulo remonta à antiguidade: consta que Baco, deus romano do vinho (porque percebia muito de vinhos, e que gostava de bacanais, aliás bacanal deriva de baco) terá recusado uma noite louca com Vénus, deusa romana do amor (porque percebia muito do amor), por esta lhe ter servido um copo de vinho que não tinha sido tratado em pipas de palaçoulo.

sábado, 22 de março de 2008

a adega do chefe

a adega do chefe não tem:
- escadas muito seguras;
- rampa para deficientes;
- extractores de fumo;
- casas de banho.

mas, a adega do chefe tem:
- vinho;
- bacalhau;
- bom vinho;
- queijo;
- bom vinho em malgas de cortiça;
- fruta variada;
- pipas e pipas de bom vinho;
- ...
- bêbados.

P.S. primeiro post no caleija das nilgas escrito a partir de palaçoulo, não muito distante da caleija das nilgas, com a wireless da junta.